"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,e não a gente a ele". M.Q

"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,e não a gente a ele". M.Q

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Camuflado

O amante estaria ferrado se escreve tudo o que sente. Seria como um corpo nu em meio a tempestade de fogo, não teria proteção alguma. Abrir o coração em palavras é algo arriscado demais para os pobres mortais que buscam conforto no mundo das palavras.

S. Vaz

sábado, 26 de novembro de 2016

Sobre sentimentos bons

revam-se imprevisiveis, sao coisas das pequenas realizacoes, imperfeitas, mas suficientes para deixar a alma leve e feliz por um período maior que aquele normal o qual estamos habituados.

Das coisas que não sei

Ainda não tenho nada a escrever sobre ela, que reina no meu plano da incerteza. Sim, tenho um lado das coisas que quero, das coisas que não quero e das que não sei o que dizer, apenas deixo navegar sobre minha vida, esperando que o acaso se decida em algum momento, sem ter a presença da inquieta ansiedade.

S. Vaz


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Detalhes que não se apagam


No peito sinto rasga-me os delírios
De onde vem tanta necessidade de ter
O pranto se desenvolve por não ter mais o encanto
Um tom em demasia meramente pela vontade incontrolável, mas velada
Ter
Ser sua
Mas não mais querer ceder
Medo

Fragilidades noturnas  e diurnas que rondam os amantes de um só amor

S.Vaz


domingo, 18 de setembro de 2016

Não se trata de subsistir

Todas as noites tento desocupar  meu coração e ao acordar conto quanto tempo levo entre o acordar e o pensar nela.  Às vezes leva o tempo de ir ao chuveiro, outras vezes o momento que abro os olhos e respiro fundo com o sentimento de fracasso como se pudesse controlar o sentimento.  Não posso conter o amor, encerrar o que está no interior desta coisa dentro de mim, não posso tão pouco me culpabilizar, pois procuro esvair desse poder intenso que me domina.  Resta ter paciência para deixar o sopro do tempo levar tudo que ainda existe.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Eu assim mesmo

Eu continuou sendo um poço de bobagem, não cresço nesse aspecto, é algo conjuntural a minha personalidade. Mesmo por tudo ainda consigo amar e é amar e amar. É como um jogo de xadrez jogando sozinha, é imaginação e só, algo bem poesia. A parte boa é que se priva de frustação.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sentimentos emergentes fazem ate a gente mentir, dizer que não sente mais falta. São sentimentos a curto prazo, não devem ser levados tao a serio.  É mais seguro enxergar la na frente, quando o calor se esvai e as coisas ficam mornas.



sexta-feira, 17 de junho de 2016

koru

O silêncio do beco soprou um sussurro para mim dizendo que o caminho cíclico se foi, que a noite chegou, que o novo mês me abraçou e os dias serão de luz, o próprio escuro trás a luz das estrelas. O caminho do meu coração é um devir.

S.Vaz


terça-feira, 7 de junho de 2016

Baú das coisas escritas III

Despedidas são sempre doloridas, a sua veio em uma noite fria de setembro, ao menos eu estava sentindo o corpo gélido. Foi algo que eu esperava, mas a razao não quis entrar na disputa e deixou o coracao jogar sozinho desde o dia que te conheci. Foi mais fácil assim, uma fruta verde querendo ser madura é acelerar o tempo, cada um funciona a sua maneira. O engracado é que amo suco de manga verde.
S.Vaz

Baú das coisas escritas II

"E ela se calou também pq estava chorando... E tombou devagarinho como uma arvore tomba"
Quando não há mais palavras o corpo fica assim, a boca nao quer dizer nada, os olhos falam por si, da uma fraqueza febril na alma. O problema são dos defeitos que meu coraçao tem.
S.Vaz

Baú das coisas escritas I

-Oh seu moço, tá doendo. Eu já conheço essa dor, ela aperta, um nozinho que se traduz no fim de algo bom.

S.Vaz

terça-feira, 14 de abril de 2015

Devaneio de terça

Pensei em te dizer hoje, mas esqueci.  Eu vi no céu uma briga de unicórnios, foi muito séria, diga-se de passagem. Se fosse contar para você, meu semblante seria de assustada e provavelmente você me acharia louca, mas eles estavam alvoraçados, batendo os pequenos chifres, não tinha como eu não ficar nervosa.  Não sei se você sabe, mas o unicórnio é um ser puro, não se vê uma coisa assim há séculos, era de se esperar meu desespero. O infinito tem o unicórnio como animal de estimação, às vezes penso que o animal seja o infinito, enfim.  Briga de filhotes dos deuses, o que será que houve? Consultei e descobri que eram nossos pensamentos. Sim, como não? Nossas cabeças ficam inundadas de historias malvadas, pensamentos negativos, achando que não vai dar certo alguma coisa. Mas nossos corações estão tão puros, nossos unicórnios. Devemos deixar o unicórnio seguir com a natureza dele, recheado de esperança em coisas boas, jogar toda negatividade para fora. Dá medo, não temos como negar, mas temos que assoprar até ele se desmanchar, como uma nuvem. 

S.Vaz

quarta-feira, 4 de março de 2015

Gritos

As vezes a felicidade vem de um jeito que o sorriso rasga na cara e as lágrimas saem sem querer do rosto, saltitantes.
A gente sabe o que nos faz feliz, e tem felicidades que só depende dá gente, do nosso comprometimento em correr atrás, de não desistir.
A ansiedade por essa felicidade é sofrida, queremos logo. Mas paciência é fundamental.
Sabemos que alcançamos o ápice da alegria, (nem que seja dessa alegria, dessa madrugada, ou dessas duas horinhas) é um sentimento de desejo realizado. Sentimos o coração sair pela boca.

Ouvir a resposta do corpo estimuladas pela alegria é a melhor sensação do mundo, da vontade de gritar.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

( ) Easy ( ) Medium (X) Hard

Tem dias que nem abrimos o olho e já enfrentamos o primeiro dragão, são pesadelo dos bichinhos que não podemos matar no dia que se passou. Às vezes é preciso andar mesmo de armadura e você é taxada de grossa, de bruta e agressiva. Mas o que fazer quando a sua prática rotineira é recheada de demônios? Quando se lida com dragões e não com filhotes manhosos é preciso agir como eles, é necessário enfrentar e usar o ataque como melhor defesa, pois quando recuo me encho de medo e o bicho sabe, então ele me apavora ainda mais. É tão cansativo que dá vontade de fingir que não existe o ataque, mas aí seria fingir que não existo. 


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eu, que não posso.



“Eu acho errado”. Vejo essa frase, por vezes, acompanhada de argumentos vazios, pessoas que se prendem a um discurso pronto, arraigado de vícios do senso comum, seja pelo que ela foi ou que viveu. “Eu acho normal isso, aquilo, mas isso não, isso já demais”. Já é demais por ultrapassar a capacidade mental das pessoas de enxergarem além ou pensarem fora da caixinha. Infelizmente, o “não gostar” da situação é promovido por um pensamento unilateral que vem de algo muito mais macro e que cultiva os sentinelas de plantão. Não se conversa com as partes envolvidas e nem se tira provas, não se realizam testes. Nada importa, não se ouve histórias, não se ouve sentimentos, não se ouve o indivíduo envolvido.  Reside-se apenas a exteriorização de pensamentos mesquinhos que é teorizado por fatos isolados pela simples maneira de não ser aceito culturalmente. Faz-se necessário entender que nem todos fazem parte desse liquidificador de cabresto. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Aquela paz

Ela é leve, é um furação que vem perceptível como a brisa que toca a gente de forma singela e contínua. Eu não tiraria nada dela, cada traço que compõe seu conjunto é especial a sua maneira. Dá pra sentir que por dentro da moça é tudo um encanto. Aquela paz que só quem tem pureza pode transmitir, é como se as coisas ruins não afetassem a sua essência e isso é a maior beleza que ela pode dar.

S. Vaz 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Quando vou pensando em tudo, vejo que daria um filme, sabia? Um engraçado, aquelas comédias românticas americanas. Nós entramos no roteiro igual a Alice quando cai no buraco. Vai ver que é essa a graça da vida, não tapar todos os buracos e se deixar deleitar por algum. E olha só onde ela foi parar: No país das maravilhas. O país que entrei me fez rir por aceita-lo, é habitado por uma menina que é da cor do girassol, sempre estamos em extremos, é como se eu fosse 1 e ela 10. Brincamos de um jogo doido só de sentidos, mas temos medo de dar as respostas. É nossa mímica onde sinto, passo e há uma reciprocidade, talvez a gente saiba o quanto perigoso é o mundo das palavras, mas existe a contradição de que desafiamos todos os dias o perigo, o bom é que os deuses do jogo estão a nosso favor e cada dia nos presenteiam com uma coisa boa, apesar da gente se machucar de vez em quando. Então é medo mesmo, pronto, assumo! Não sei se caibo nesse mundo e vice-versa, mas não consigo sair, tem uma escada e eu poderia muito bem voltar para o caminho que estava, só que quando penso no meu mundo de antes é estranho, fica cinza, e onde estou é cheio de cor, e é iluminado por culpa da cor de girassol. Fui sugada por esta toca e hipnotizada pelas boas sensações que ela me traz. 

domingo, 12 de outubro de 2014

Segundos

Em uma piscada mais longa eu já imagino tua boca na minha, sinto todo o gosto bom do seu beijo que vem acompanhado com um coração saltitante, uma respiração ofegante e um cheiro único que é a mistura do meu suor com o teu. Tem sentidos que só quem mexe com a gente de verdade consegue passar apenas numa piscadinha. S. Vaz

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Números e blá blá blá


Eu juro que não sei calcular a rapidez de um sorriso. Físicos iram dizer que não é mais rápido que a luz, mas eu não sei nada sobre cálculos, duvido e não me importo com físicos. Eu sei que os dela me fazem sorrir com a alma, e nenhum matemático vai conseguir a fórmula que define essa questão. É involuntário, indisfarçável e puro. Não sei também como começou, de repente eu estava lá, rindo sozinha, e quando algo parecia triste, quem inspira meu sorriso fazia com que eu me esquecesse de tudo e desafiasse mais uma vez os chatos que se importam com números.   

S.Vaz

Exageros à parte

Ah, eu me declaro boba. Tenho o coração mais leve e bobo que conheço. Se fosse explanar de forma imagética ele seria um dente-de-leão, que aliás, eu bem que queria saber quem foi o sábio que colocou esse nome que não tem nada a ver com a flor. Aposto que foi um estagiário principiante que trocou os títulos das flores. Por exemplo, eu não me importo com sorvete, gosto mesmo é da poesia de melar o nariz dela assim, compraria um de flocos só pra ficar parecido com aquela carinha do protetor solar, e observar o rosto de susto acompanhando um sorriso, ah tão fofo. 

                                                                                    S.Vaz



As vezes fujo de mim e me desloco para o corpo de um outro personagem. Como iria agir se não fosse a personagem principal, e sim a coadjuvante, ou a vilã que me assombra? Mas se eu me apegar tanto a questão do outro não vivo. Carrego, contudo, um pensamento contraditório do que é certo e errado, mesmo que possivelmente já tenha a resposta, é a alteridade me assombrando. Esse liquidificador de pensamentos me dá um medo imenso de seguir e enfrentar. É uma bagunça quando a gente consulta o cérebro.    

S.Vaz

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Confessionárioquefariatudodenovo

Padre,

-Estou pecando de novo. Confesso que queria não querer no início, que achei melhor quando sumiu, não queria me meter em problemas, minha vida já é um carrossel quebrado, onde os cavalos são unicórnios loucos e rebeldes. Eu juro que NÃO (error detected by the heart) queria perceber o olhar da maldade e entrar no jogo da sedução. Ah padre, mas que culpa eu tenho? Foi uma tentação, eu não consegui dizer um único “não”, e se tentasse iria titubear. Você sabe que esse inquilino que mora ao lado esquerdo do meu peito faz o que bem quer. Acredita que ele saiu sozinho, fez o que quis e voltou sem me consultar antes? Na mesma noite já sabia que ele tinha se embriagado de algo errado e bom. Mas ele não se contentou em parar por ali, foi se envolvendo e se banhando... Mas agora padre, shiuuuuu! não conta a ninguém... I'm really enjoying it. 

S.Vaz


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Paradoxo de (não) te querer

Eu fiquei sentindo o cheiro da camisa usada que você esqueceu aqui como de propósito até que se propagasse nas entranhas do que se faz eterno em mim, tal qual o dia que te vi pela primeira vez.

Guardei para que a memória se recordasse amiúde, foi uma maneira de enganar meu coração, pois o tempo sempre nos ajuda a dissipar aquilo que não nos faz bem. Não é tudo que a gente ama que nos faz bem. O meu sentimento teria que ficar guardado naquele aroma, seria como a sombra de você que me atormentaria efemeramente num dia qualquer de novembro em que já não lembraria nem do jeito como você mexia seu cabelo, e que me encantava. Não me recordarei do gosto de café com leite cheiroso da sua boca, nem dos seus gemidos molhados na minha cama. Não saberei quem foi aquela que me escreveu coisas bonitas num pedaço de guardanapo e que tinha medo de banho frio. Quando a gente arruma o coração mudamos as coisas de lugar e abrimos espaços para o novo. Você vai ficar naquela gaveta fechada a cadeado que é para eu não te ver nunca mais, só preciso de uma frecha de luz que é onde vai sair o sabor do seu cheiro e que vai me trazer não lembranças, pois essas vem em conjunto com todo o mal que você me fez. Seu perfume vai ser a minha válvula de escape para você da gaveta já fechada. E sabe qual é a melhor parte? Eu não sei de que flor você comprou o seu perfume.

S. Vaz


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Monstrinhos que vivem dentro da gente

Fiquei cansada, e o cansaço se resumiu em pessoas. Aquela preguiça de ir atrás de um ser sem garantias. Certas coisas não valem meu tempo, as frustrações tomaram essa decisão.  Procuramos refúgio em nós mesmo para aceitar a decisão indecisa, por que esse é por vezes um processo de transição.

Perdi a fé no outro que ainda não existiu na minha vida, é consequência do amor inocente jogado fora sem cálculos, sem nada e que procura uma forma de sair do coração, mas ele, na briga que um dia teve por aquele espaço, se depara com aquele amor de tempos atrás, agora ambos se equalizam e sofrem do mesmo mal, o outro nem tanto, perdeu o espaço quando o segundo chegou cheio de vida, mas não foi expulso, como seria? Ele não teve motivos, então ficou dormindo no sonho eterno que viveu. Agora ambos sofrem do mesmo mal. O amor, coitado, sabe que vai conseguir escapar um dia dessa sensação de abandono, mas os danos já são sentidos, já são visíveis e palpáveis. O desgaste de ter sofrido do mesmo mal por duas vezes faz um estrago grande na força de vontade do coração. 
S. Vaz



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os rituais

Porque quando estamos brocochô não tiramos a pijama e saímos da cama direto para o sofá, ficando naquela posição fetal como se esperássemos alguém para resolver aquilo e nos proteger?
Comemos chocolate, aquele brigadeiro de panela e depois pensamos nos quilos a mais, mas que foda-se os quilos! Precisamos do chocolate.
Depois olhamos a tela do computador, a tela do celular, pois já somos prisioneiros da tecnologia, na esperança de algo que sacuda nosso ego, mas isso faz com que tudo piore 100 vezes mais.
Pensamos em tomar atitudes extremistas na nossa vida, fazemos planos imaginários e colocamos uma música, mas qualquer música leva a pensar naquilo que nos aflige. Se for agitada, percebemos nosso marasmo e falta de coragem, se for triste aumentamos a fossa.

Os momentos difíceis são uma tortura para a alma. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Curtas do dia-dia: “E assim se faz um amor”


Num ponto de ônibus qualquer...

-Oi, boa noite... Você sabe como se faz pra chegar a “tal lugar”?
-Sei sim, você deu sorte, estou indo pra lá (carinha de complacência) E por sinal o ônibus chegou, vamos?!
-Olha, lá no fundo tem dois lugares.Nem me apresentei,sou Fulana, e você?
-Sicrana.
-Olha, o nome da minha sobrinha é esse rsrs Não vou mais esquecer.
- =)
- : )
-Esse livro que você tá na mão é perfeito!  Já perdi as contas do tanto que já li.  
-Eu adoro ele, a autora explora o sentimento de uma forma misteriosa, transcendente o comum.
-Eu gosto do XXI capítulo, quando ela expõe os emaranhados que levam ao desfecho final, bem surpreendente né?!
-Com certeza, nunca imaginaria que terminaria assim, se bem que parece que não terminou rsrsrs
-kkkkk Eu juro que tive essa mesma sensação.  
-E você faz o que dá vida, cursa alguma faculdade?
-Eu não estou cursando no momento, só trabalhando, mas vou tentar esse ano, e você?
-Faço história! Dizendo eu que faço rsrs
-Que legal, eu amo História. Me conte uma aí rsrsrs
-rsrsrsrss
-Tá um calor né? Dá logo vontade de tomar uma cervejinha...
-Rapaz... nem fale, bem que eu queria viu. No ponto que vamos descer tem um barzinho, topa?!
-Bora! é bom que você me conta suas histórias aí rsrs!


....

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Novos capítulos

Não estou cansada depois desse baque, depois de mais um na vida. Dessa vez não. Hoje eu quero de novo, tentar novamente e dar outra chance, chance a outras pessoas, a outras coisas, a outros planos. Nem sei se aprendi algo com esse, foi apenas mais um que tive na vida, devo ter ficado relaxada já. A vida é assim, esquenta, ferve e esfria. Mas não tem nada frio, só diferente do que já foi. Como dizer que está tudo frio se tenho um coração cheio de vontade? Que as coisas durem o tempo que tenham que durar, talvez alguma, um dia, seja eterna. As vezes viver na eminência de algo é bom, quando a gente menos espera vem uma borboleta e pousa no nosso nariz.


quinta-feira, 4 de abril de 2013


Existem vidas presas a um roteiro pragmático difícil de fugir.
Quanto mais prático melhor, quanto menos enfrentar melhor, quanto mais paz melhor, enquanto isso o mundo pega fogo, o teto desaba, o coração se autodestrói, mas o objetivismo te trás segurança, o já feito, o que já foi conquistado desde que você nasceu. Dizem que o fácil é o certo, mas o certo nem sempre é o que você queria realmente ter.
Somos corrompidos e reproduzimos o que o sistema espera. E assim empurramos desesperadamente felicidades inventadas e vivendo em sonhos a não fictícia. O e “se” eu não gostar, e “se” eu me arrepender deixa a gente igual a passarinho em gaiola aberta. 


terça-feira, 2 de abril de 2013

Carta singular - O sonho dos sonhos





Eu ainda tenho você amor, naqueles sonhos da noite que não podemos controlar.
Outro dia tivemos um filho, tão lindo, tinha meus olhos e o jeitinho seu. Era um bebê gordinho que tomava banho com a vovó; você sabe que sou desajeitada.
Nossa casa é arejada, tem umas janelas enormes onde da passagem livre para os raios de sol, eu gosto porque faz um contraste tão belo com seu cabelo que hipnotiza. Lá fora tem nossa horta, os tomates estão demorando muito pra crescer, acho que devemos trocar o adubo.
É uma vida tranquila  exceto quando você implica com meu emprego, e eu quando você sai  pra fumar com seus amigos, mas a gente supera no meio da noite quando sentimos falta de dormir de conchinha.
Acho muita graça quando você põe o LP no último volume e canta como se estivesse sozinha no mundo, dou risada escondida porque às vezes você desafina e troca a letra, mas não se chateei.
Gostamos muito de ir à praia, é um dos nossos programas preferidos, porque enchemos o isopor de cerveja, pegamos as cadeiras, o sombreiro, o frescobol, chamamos os amigos, colocamos tudo no carro e saímos sem hora pra voltar. Tem aqueles dias que são só nossos, só da nossa cama, pipoca , filminho alternativo, daqueles que procuramos muito pra achar ... É tão bom!
A gente é feliz, é feliz e sabe... A gente se ama a cada segundo do dia e é um amor que nunca acaba. Só que aí eu acordo, acendo a luz do meu quarto para mais uma realidade. 


domingo, 6 de janeiro de 2013

A menina a e pipa

 Minha pipa se foi, eu a vi se esvaindo no céu aos poucos, cada centímetro fugindo de mim para ser livre; ela não o era em minhas mãos. Logo ela que cuidei com tanto carinho e dei um amor que nem sabia existir dentro de mim, ajeitei cada pedacinho estragado com o tempo para ter uma pipa nova, que fosse só minha, acabou que ela me ajeitou também, me deixou mais mole, mais entregue e me entreguei completamente a ela. Quando a ganhei foi de repente, um presente da noite que nunca imaginara chegar deve ter vindo com a brisa; ela veio de tão longe, de onde nunca imaginara ir, era uma coisa meio encantada e nova pra mim.
Acordávamos pela manhã e fugíamos para nosso mundo... Eram tantas declarações de amor, tantos planos, me enchi de vida. Ela voava no céu e eu observava como uma menina boba, era uma pipa que sorria e seu sorriso era a melhor música, viajamos para vários lugares, nosso mundo ainda estava aberto a certas emoções e nos amamos em lugares lindos que hoje são só memórias. Não era uma pipa qualquer, ela me escolheu e eu a escolhi como por magia sobre as estrelas, deve ser por causa dela que aprecio tanto a noite.
Depois de um tempo a pipa cansou do nosso mundo, ela o achava imaginário, precisava de algo concreto que eu não podia lhe proporcionar no momento. Ela precisava de outro alguém agora para ajeitar o que usei e se tornar nova de novo. E ela se foi, meu mundo perdeu a cor e voltou a ser cinza.     
S.V. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

As pessoas e os cubos mágicos

É difícil completar todas as cores de um cubo mágico. Acertamos um lado, mas o outro está incerto, as vezes as quatro cores ficam prontas e está tudo tão perto que sentimos um prazer inigualável, pois logo terminaremos aquela complicada etapa. Só que algo dá errado  e o que estava quase pronto se desmancha e temos que começar tudo de novo. Para completar um cubo mágico exigi-se muita paciência e dedicação, difícil é achar quem há tenha. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

As vezes  não sei do que se trata mais o amor.
Se ele trata de uma lembrança do banco, ou de uma lembrança da cama no amanhecer da manhã.
As vezes pode ser que ele se lembre de um vinho numa noite de luar.
Onde foi parar o amor?
E que tempo há de apagar um amor?
Que tempo apagará o amor.
Que obstáculo difícil, labirinto, trança, seja qual for.
O que dificultará o amor.
Que pergunta responde?
Em que mundo ele está.
Ele tá escondido? Aonde?
Quando, como... Você se perdeu amor?
Quem achará o verdadeiro amor.
Olha ali, mas de onde tu veio amor? Quem te fez nascer?
Alias, tu ainda tem vontade de  viver? 


S.B V

domingo, 3 de junho de 2012



"Amar é ter paciência, com a falta de paciência que outro tem"






sábado, 12 de maio de 2012

A distância e o amor

Essa dor da falta do seu amor me mata.
Esse vazio translúcido em mim que não me deixa viver.
Tão longe está minha felicidade...
Minha alegria vem, mas escapa tão rápido que só resta o tempo pra sonhar.
O sonhar se perde na fantasia e nunca se sabe quando a realidade um dia vai se tornar.
Nada é tão ruim e tão doloroso quanto essa linha tênue de ter que escolher entre o amor e o que sobeja da minha vida.
De qualquer forma eu sei que sempre estarei aqui te esperando pra amar.





sábado, 21 de janeiro de 2012




Já que é amor que seja intenso, que seja até drástico e que transborde todo esse sentimento, não quero doses homeopáticas, quero paixão ardente que lambuze, que regale de prazer. Não preciso do bom senso, nem de porquês, nem de não pode. Tudo pode. Se for pra ter um amor que ele enlouqueça, que arda o coração e faça suar a mão. Não quero nada simples, desejo o exagerado, o arriscado o sem medo. Vou amar, me entregar do jeito que quero, vou viver, saber, aprender e no final saber que amei todos os dias como se não fosse existir nenhum outro e só por isso valerá.

sábado, 26 de novembro de 2011


Foi-se o tempo que me assustava com as pessoas.
A cada esquina da vida em meio a pedras e os poucos caminho de flores aprendi que ninguém é perfeito, alias ninguém nem chega perto disso, não me decepciono tanto com quaisquer atitudes que advém do ser humano, é melhor aprender a contar até dez e em alguns casos até cem, respirar fundo e perceber que tudo passa um dia, que o que hoje doeu amanha não vai doer tanto. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


Não tem problema ser um urso panda no meio dos polares. Acredite que se você não tiver muito perdido no caminho vai perceber qualquer dia desses uma floresta com bichinhos de olheiras no meio das geleiras. Você às vezes é como um imã, atrai para si aquilo que procura.

S.Vaz


terça-feira, 28 de junho de 2011

Ir

Existem fragmentos isolados que te modificam.
Momentos que inspiram ou que fazem absolutamente o contrário.
Permitir vivê-los faz a diferença e só acrescenta mais vida aos dias.
Se foi bom, foi correto.
Se foi ruim, foi correto.
Sentir e consentir os sentimentos é ter a liberdade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Não importa a cor do cabelo

Não importa a cor do cabelo, ame de qualquer jeito.

Escolha pela essência e não pela cor do cabelo.

O sorriso, as palavras doces e o olhar meigo são muitos maiores que a cor do cabelo.

O toque que estremece e arrepia a alma não se importa com a cor do cabelo.

O coração que bate de acordo com a sintonia do outro nem pergunta qual a cor do cabelo.

O som da voz acordando toca, não a cor do cabelo.

A cor do cabelo é apenas uma parte de alguém.

É tão triste a repressão só pela cor do cabelo.

Seria tão simples se não existisse o julgamento covarde e só por isso alguns escondem a linda cor do cabelo.

Procure humanos e não pessoas.


Eu me declaro culpada!!!!

Culpada por comer demais
Culpada por beber demais
Culpada por falar demais
Culpada por cair em contradição
Culpada por abdicar de horas a mais de estudos
Eu sou culpada por amar de menos
Por achar que fidelidade e amor são sentimento que diferem
E por ser orgulhosa demais
Me culpo por acordar de mau humor na sexta-feira
Ou por acordar feliz demais na segunda feira
Sou a culpada de não assistir televisão e não saber sobre a novela
Mais quer saber? Estou condenada e relativamente feliz em ser eu mesma.

S.Vaz

domingo, 10 de abril de 2011

Os lugares dentro de mim II


Tudo passa, escorre das nossas mãos e às vezes é como se nunca tivesse existido.
O que fica são os bons conselhos, os que não são fictícios, os amigos verdadeiros, as pessoas que carregam um ser humano em si.
As coisas superficiais fazem parte da nossa vida apenas por um singelo momento efêmero.
Quando sentimos saudades, mesmo uma saudade não vivida é que descobrimos o que realmente nos faz feliz.

S. Vaz


sábado, 9 de abril de 2011

Os lugares dentro de mim.



Bom dia tristeza, por que cismas em invadir meu coração?
Meu peito dói, minha alma chora.
Mas qual o sentido de tanta dor se sinto-me vazia por dentro.
Me envolvi num desânimo profundo onde transpareço tristeza.
Um poço que parece não ter fim, um sentimento tão forte que se iguala a uma anomalia.
A pior coisa que existe é morrer e continuar vivendo.

S. Vaz



quinta-feira, 24 de março de 2011

Seu coração?

Um coração prolixo de desejos polissêmicos
Vontade insaciável, apetite intenso
Contraste.
Um lado vazio, blindado, cansado.
É a bipolaridade forçada, quase uma patologia.
- Qual a cura?
- Cala-te coração!


quinta-feira, 17 de março de 2011




Minha liberdade interior proporciona que eu veja o mundo do meu ângulo. Fujo do tradicional e escuto vozes minhas e sigo o eu caminho.
A individualidade me  permite. E para transcorrer o que me cedo torno-me um pouco egocêntrica, neste instante já não mais sou o que esperam e sim o que vejo.


S. Vaz

quarta-feira, 9 de março de 2011

des - caminhos


Ás vezes a gente se perde no caminho da nossa história, às vezes achamos que a trajetória está correta até que descobrimos um espaço dentro de nós que quer ir na direção contrária. Somos eternos adolescentes, precisamos acelerar num certo momento e retroceder em outros. Às vezes acordamos e enjoamos do nosso correr de relógio, aí fazemos algo diferente ou simplesmente esperamos acordar de novo com paciência, esperando que tudo volte ao normal. Acontece que ás vezes as vontades são eternas, dormimos, acordamos e seguimos, apenas seguimos, temos medo de mudar, arriscar e de se comprometer, e somos adultos, fazemos o mais fácil, mas o fácil às vezes torna o caminho mais difícil e o que parece ser difícil às vezes é realmente mais difícil, só que torna o caminho mais agradável e aí às vezes desfrutando dessa escolha de repente acordamos e descobrimos que viver sem riscos não é viver e que tomar decisões difíceis é melhor que passar a vida inerte.

S.Vaz

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Oceano Meu


Sinto-me só porque as pessoas vivem na superfície e não acompanham a minha profundidade. Se tento acompanhá-los no raso me confundo e sufoco como se faltasse o ar, ficando num estado onde vou perdendo a consciência e já não mais sou. Meu interior é muito maior e mais complexo que a exterioridade dos comuns, por isso não consigo respirar no seu mundo.


S.Vaz

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

?

Bela ou feia?

Gorda ou magra?

Decidida ou indecisa?

Crente ou descrente?

Durona ou sensível?

Sim não, quero!            

Sim, não quero.

Depende da lua

Depende da segunda-feira

Depende do sonho

Depende da harmonia

Talvez yin

Talvez yang

Talvez yin yang

Quem sou?

Quando souber perco a poesia.




                                                           s.VAZ

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amigos

É tanto tempo comigo, tenho que me conhecer perfeitamente, eu me vejo interiormente, mas eles me vêem de um ângulo diferente, do lado de fora, e isso é tão diferente! sabem sobre mim sem ao menos existir o uso das palavras. Aquela dúvida que passa na minha cabeça eu descubro que não é só minha, eles enchegam, tem visões de raio X ! são meus super-heróis (Os melhores!) Eles entendem o movimento dos meus olhos, minha coçada de cabeça, meu suspiro, minha risada, e até meu silencio... Com suas mãos mágicas fazem cafuné em minha cabeça, me dão um tapinha nas costas, as vezes um tapão, e com um olhar ou uma palavra de magia conseguem me fazer feliz, conseguem me animar e sorrir, meus heróis tem os melhores poderes! O poder de amar.

                                                                                                                                                  SabrinaVaz

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sem título para a vida


Não tenho título para a vida
Vivo no contrário, sambando pensamentos estonteantes, pluralizando segredos(que todos deveriam saber) amiúde. Creio que nunca passarei da fase do Apocalipse mental, é que as perguntas vem e vão no zigue-zague dessa existência. Vou ouvindo minhas vozes estabelecidas e mesmo as inacabadas, procurando por respostas que talvez só chegarão de forma empírica. Sou discípula do livre arbítrio, ou seja, oposta da condição imposta.Prossigo descarrilando, seguindo o que acho correto, mesmo que por infortuno ocorra um descalabro. E dançando nesse ritmo vou fazendo meu próprio viver, que já passou da introdução e que talvez se eternize no desenvolvimento.

    Sabrina Vaz

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Eu, minha psicóloga

Sou psicóloga de mim mesma e ultimamente são tantas as sessões que já não sei o quanto que vou pagar. A analista me pergunta sobre minhas aflições.
- Ah... São tantas, na infância os dias de alegria foram mais mágicos que os de tristeza dignas da idade, contudo quando vou crescendo tudo se transforma e traí meu mundo de sonhos. Palavrões, assovios, seres que maltratam  meus pobres ouvidos quando caminho pelas ruas. Padrões a serem seguidos e todo dia digo começar uma dieta que se esvai na primeira oportunidade de alimentar deliciosamente meu estomago ou meu fígado. Uma moça tem de andar com elegância e lá vai eu apertar meu pé de pato em um salto alto porque algum filhodaputa acha que eu tenho o pé igual o da Barbie. Dizem também que o futebol com a cerveja aos domingos não é para mim, o mais sensato é que eu sente com as mulheres e ouça de todas as gerações as mesmas ambições sem sal, então eu juro que prefiro me candidatar a lavar a louça. Até o relógio me incomoda, tem que ter tempo pra isso, idade pra aquilo e ninguém percebe que as pessoas precisam fazer as coisas no seu próprio ritmo. Recebo todos os dias um “bom dia” que é tão automático quanto um “alô” ao telefone, talvez comece por aí o dia a não ser bom. Um inferno é quando você tem que responder aquela velha perguntinha de o que vai ser quando crescer? Médica? Advogada?Engenheira? E se tu respondes que pretende ser professora ou alguma outra profissão não elitizada prepare-se para pressão psicológica que te faz questionar se é esse mesmo o caminho.
Sabe doutora, eu ainda tenho que conviver com pessoas acomodadas e ouvir seus depoimentos errôneos e utópicos que não dão sentido a liberdade, ao amor próprio, tem gente nesta vida que eu não queria ter conhecido, parece que nasceram sem ego e só contribuíram para a assolação do meu amor ao próximo.
-Você precisa ter calma, um dia vai encontrar pessoas que valham a pena segundo seus conceitos. Fala a médica.
-É que hoje ficaram os resquícios, talvez traumas porque não? Trauma de gente. Uma lesão que dificilmente será curada. Vem daí o abraço sem graça, a falta de não sentir falta, um vazio como se estivesse só, porém constantemente vigiada. Eu não sei se sou eu que não estou preparada para o mundo ou se é o mundo que não está preparado para mim.
-Parece que cheguei a um diagnostico, você está doente, totalmente desconforme, os casos são raros, mas há probabilidade de cura.
-Cura! Não por favor, acho que prefiro ficar enferma mesmo tendo que suportar as dores. Pena que pareço não contaminar muita gente.
-Espero então que abstraia meu conselho, acredite, ainda existem  pessoas apaixonantes nesta vida. Por hoje, diz a médica para paciente quase em lágrimas, acabou.   

Sabrina Vaz

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não quero a pessoa ideal
Eu quero a incerteza, a surpresa, o mistério
Eu quero deleitar-me no imprevisivel e ficar a mercer do próximo
Não quero o irreal imaginário aos olhos e desejos triviais
Sou meio bipolar, irregular, transcendo emoções por vezes esbaforidas
Canso de flores e das desculpas vazias
Não quero o certo, o sério, quero o humano.

Sabrina Vaz

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O novo


É estranho sentir algo que nunca se sentiu antes

Uma coisa nova que invade o corpo

A paixão é incandescente, involuntária.

Toma a alma e adentra os sonhos

De forma a devanear-se em fantasias mesmo de olhos abertos

Querer tanto que vai se tornando inamovível

Permitisse a coisas que nem na mais profunda das insanidades se permitiria

Ouvir o que se quer ouvir e perceber o que se almeja

É tornar tudo irreal e ter a visão apenas para o que foi imposto pela vontade involuntária

Desejar, cobiçar o platônico.

Sair do paradigma e torna-se um paradoxo

Imergir-se nas ondas do seu querer

E descobrir que pode voar quando se efetiva


                                                                            Sabrina Vaz

sábado, 11 de setembro de 2010

Quando desaprendi a amar

Quando desaprendi a amar foi a minha ruína, mas não me culpo, não somente eu, mas as pessoas. Desaprendi a amar ainda muito jovem, quando gozava de todo esplendor transbordando amor. Ditado mais certo é que encontramos a felicidade nas pequenas coisas, porém adiciono à célebre frase a palavra tristeza. Sim é nas pequenas coisas que nos tornamos sujeitos mais desgostosos.
A primeira vez que desaprendi a amar foi há anos, em um dia de muita chuva ao ver um menininho sentado no chão tentando sem sucesso enganar o frio com jornais, enquanto eu estava sentada no carro, agasalhada e quentinha, segurando uma boneca e esperando o sinal de trânsito abrir em meio a buzinas das pessoas grandes e apressadas que só enxergavam o semáforo. Acrescento a essa epopéia da vida o dia em que quebrei a xícara e apanhei sem dó ou mesmo quando caí, machuquei a perna e em meios a choros tímidos ouvia gargalhadas e vaias. Descobri que meu poder aquisitivo fora meu retrato, se tivesse cara de arara ou mico-leão-dourado tornava-me só mais uma em meio a multidão, mas se parecesse com os peixes... E viajando aprendi que pigmentação da pele era mais visível que a personalidade.
Fui desaprendendo a amar no verão em que caminhando em direção escola fui surpreendida por um revolver, percebi que para o sujeito a mochila valia muito mais que minha vida. Entrei em desalento quando só recebia abraços frouxos, quando uma pergunta era respondida junto com sete pedras as quais atingiam em cheio meu coração. O meu amor estava adormecendo ao ver mulheres apanharem e ainda adorarem seus parceiros, ao presenciar a corrupção e não poder fazer nada, pois sempre no meu pessimismo desde sempre houve e haverá indivíduos que se aproveitam dos outros. Pior do que está, sim, fica. Andava entristecida vendo seguidores de Hitler mesmo após seu declínio e a tristeza permanecia quando me lembrava que odiava a discrepância entre os extremos de pobreza e riqueza, mas era produto do capitalismo.
Descobri que não sabia mais amar, que não queria aceitar, mas era verdade, tinha medo de amar, pois desconfiava de tudo e de todos e sem o amor tornava-me mais arrogante, menos conversável e mais individualista. Achava que sobreviveria comigo mesma, antes só que mal acompanhada. Entretanto um dia recebi um telefonema de alguém que não vira a anos dizendo que estava com saudades, ganhei uma rosa que mesmo efêmera para mim não se tornou, recebi um beijo gostoso na bochecha, me contaram um segredinho, me cobriram quando estava dormindo. Fui abrindo o sorriso e meu coração respondeu igualmente.
Sigo então tentando reaprender a amar neste mundo, me mostrando devagarzinho e até rindo sem motivo. A alma agradece. È tão gostoso gostar de amar.


Sabrina Vaz

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

coisas da saudade

E foram se passando os anos, era mais fácil aparecer um eclipse do que te ver.
Restaram os retratos, os sorrisos de papel, a carta de feliz aniversário que o tempo se encarregara de apagar como se estivesse sido escrito em poeira.
E o eu te amo foi ficando tão distante, que agora nem no fim do eco, que antes quando sentia saudades imensuráveis conseguia buscar, posso ouvir.
Até o cheiro da camisa esquecida, que pra moda não há de voltar mais, foi embora contigo.
Resquício abstrato já não se tem apenas uma dor real, um vazio vago, são coisas da saudade.


Sabrina Vaz

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu não sou daqui


Eu falei que preferia ir pra Marte
Ninguém me ouviu e me puseram neste lugar tosco que é Terra
Envergonho-me, eu devo ter atirado pedra na cruz, foi isso!
Mereço esse carma então de ter que conviver com um monte de doido
Porque a certa aqui tenha certeza que sou eu
Obrigam-me a pagar ainda por cima, para ficar nessa joça
E falam que vão reverter em melhorias
Dizem que eu estou numa democracia kkkk.
Inventaram um negócio, contrato, de papel passado e tudo
Precisamos escolher alguém e ainda por cima temos que ficar com esse alguém a vida todinha!
Criaram papéis coloridos que servem pra comprar coisas
A maioria deles nunca vê nem o cheiro
Tem uns lugares tão bonitos... Mas preciso de passaporte! Que absurdo
Aqui eles não sabem mais amar
De vez enquanto encontro vestígios de alguém que foi mandado pra cá como eu
Se souber de alguém me avise, por favor.


Sabrina Vaz

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Sol não precisa se pôr hoje

Vou fazer um culto a você
Pra saberes que eu te amo
Não tenho culpa se te escolhi
Foi assim... Tão involuntário como cair
Adoro a surpresa de você me ligar
Eu canto pra ti, mesmo sabendo que não vai me ouvir
Talvez seja sinos meu bem
Acato tuas besteiras
Renego  as suas asneiras

Confesso que te gosto
Já estou perdendo a razão
Pobre desse meu coração
Mas, quero primeiro te seduzir
Para, pensa, me dá um pouco de atenção
Não vai doer nada
Vou marcar um encontro junto com o sol
Pra te inspirar
Por que se depender de mim é no meu quarto sujo
Pra começar a sentir-se parte do meu mundo
Vai ver não te farei de brinquedo, como antes fizeram contigo
Vem agora fazer parte de o meu conhecer
Perfumar meu viver
E me fazer sorrir um sorriso
Só mesmo você pra me fazer,
Fazer tantas frases, só pra mim perfeitas
Quando esse dia chegar, juro que seguro o Sol
Pra ele não se pôr e fazer eterno esse dia de amor.



                                                                                       Sabrina Vaz

terça-feira, 22 de junho de 2010

"O papel é meu analista"

quebra - cabeça do poeta

O bom do escritor...
É que do absurdo se consegue uma ironia
Para o amor platônico, uma esperança mesmo que vazia
Se vens a desgraça, logo partimos para poesia
Suavizamos a dor ou enaltecemos o furor
Usamos de palavras vagas, que na verdade não são tão vagas
Não criamos mundos
mostramos os nossos mundos, subalternos, escondidos, individuais
E haja interpretação, nada está esclarecido.
Sobra-se inspiração, falta decisão
Tudo subentendido
De rimas em rimas se faz, se conhece, desconhece
um autor.



                                                                                    Sabrina Vaz

segunda-feira, 7 de junho de 2010

re.apare.cer

Hoje me deram um veneno, engoli a seco enquanto aquele líquido percorria minhas veias, senti a necessidade de desmaiar, fiquei um tempo não sei qual fora de mim, desse plano.
O lugar que estava agora era vazio parecia um infinito branco, eu era a única alma existente naquele espaço, percebi que encontrava-me nua e ao andar confusamente não sei para onde deparei com inúmeras placas que indicavam caminhos a seguir, observei também recortes antigos espalhados, vídeos, flores, fotografias... Uma imensidão de coisas minhas, meu eu, minha vida, ao lado um abismo negro profundo, absoluto. Refleti sobre aquilo e comecei a renegar tudo o que não me servia inclusive pessoas, aliás, principalmente elas que eram o motivo de todo meu sofrimento. A cada pedaço meu jogado fora era descarregado do corpo um tipo de sentimento e eu ficava plenamente aliviada, pura, depois de feito rumei como que instintivamente para única placa que conseguia enxergar, na qual havia escrito a palavra: RECOMEÇAR.


Sabrina Vaz

sábado, 5 de junho de 2010


"Um raio de sol queimando gostoso
um leve cheirinho de maça
A sombra, a brisa no frescor da manhã
Quisera eu que não fosse um sonho...
De repente, a água agora tem cheiro
A árvore é só um desejo
E o vento carregado de pesadelos".


                                                             Sabrina Vaz

quarta-feira, 2 de junho de 2010

há que difere



Ser diferente quão diferente é! enfrentar a inescrupulosa sociedade, renegar os princípios que regem o mundo. Me sinto uma exceção, sou? quem sabe... talvez não, mas são tão poucos os que encontro ao menos parecido que parece não existir nenhum. Solidão uma maça sadia no meio de mil podres ou será eu a estragada? se for juro que faço tudo certinho e aceito a lei universal do anel no anelar, mas não antes de experimentar minhas ideias, de fazer minha própria comida e ter dor de barriga depois. Na minha ideologia não vou estipular muitas regras pouco importa se os cabelos estarão grisalhos ou se a cor for vermelha ou se  for cor de rosa. Já me cansei da babaquice dos que se dizem letrados mas que na verdade são plagiários sem opinião própria.

Sabrina Vaz

sábado, 22 de maio de 2010

coração á ermo




E se eu quisesse fazer o improvável e o inesperado
E se quisesse fugir do senso comum
E se não tivesse vontades iguais a de todos
Mesmo assim você vai gostar de mim?!
E se meu mundo fosse outro
Meus pensamentos loucos
Minhas idéias insanas ao teu ver
Mesmo assim você ainda vai gostar de mim?!
E se de repente eu desobstruir meu coração
Mesmo ele andando na contramão
Você vai perceber os moldes que foram feitos
E vai aceitar que eu seja do meu jeito?
Mesmo assim, será que você vai gostar de mim...


Sabrina Vaz