"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,e não a gente a ele". M.Q

"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,e não a gente a ele". M.Q

domingo, 25 de abril de 2010

Não basta só viver

A chuva caía lentamente e sentada em um banco desses que parecem de praça dialogava com um escritor. Perguntei-lhe: O que é a vida? Ele olhou-me idagado e disse: Viva, deixe fluir, pareço por acaso feliz? Eu entendo a vida. E saiu deixando-me sozinha. Pensei, não por um momento, mas por dias, achei respostas desordenadas em minha mente. O que é a felicidade? parece uma palavra concreta, um ápice, utopia, vivo momentos que não são muitos por sinal, só momentos. Um dia quem sabe,talvez descubra e possa está enganada.
A vida, deveria vir com manual de instrução, tá tudo indo bem e de repente em um único dia desmorona tudo e acaba com seu bem estar, quando achas que sabe tudo sobre si, que tem controle sobre sua vida e que está no ápice mental vem uma coisa, alguém bem atipico e embolda tudo. O engraçado é que embolando ou não sei de conceitos crio conceitos que me fazem como o escritor. Que pena seja tarde não consigo só viver, preciso esquadrinhar.

S.Vaz

quarta-feira, 14 de abril de 2010


Fast food


Dei-me o cardápio garçom
Hoje quero uma dose de amor
Como o amor acabou?
Tá em falta? Eu pago o que for
Traga-me
Só tem paciência?
Eu estou cansada, enjoei de ter paciência
Você por acaso tomou hoje?
Então vou embora dessa espelunca
E faça-me o favor de enviar para o jantar de sábado
Amigos
Em domicílio Ok?!



S.Vaz

sexta-feira, 19 de março de 2010

Momento epifânico

No meio dos velhos empoeirados livros encontram-se tantas coisas: poemas perdidos, fotos amassadas, flores murchas, o papel de bala, memorias. Memorias escondidas que são acordadas. Umas te arrancam um sorriso, outras uma lágrima, mas todas profundamente fortes para fazer recordar e ai fechar os olhos e relembrar, viver novamente aquele momento.
Foi aquele conto escrito há tempos atrás, arrancou-me um riso de canto de boca, momentos que juntos fizeram aguçar o sentido, lembrar do cheiro e sentir de novo ah... como foi gostoso viver aquilo. Aquela época dos medos, de ouvir a reclamação dos pais, de ficar preocupado com a prova do colégio, olhar agora a cicatriz e lembrar da queda. Tempos passados que não voltarão jamais, ao menos que se abra outro livro. Puf... Tive meu momento epifânico.

S.Vaz

O relógio

Odeio que estipulem horas, tempos, regras. Não gosto de viver na iminência dos outros. O relógio está lá na sua precisão contínua, quem disse que dividir o tempo em anos é bom? A idade que tenho já não sei, se sou jovem por fora, velha por dentro, velha no sentido de cansar-se do mundo, da tradição que impera nos pensamentos dos seres viventes, racionais por natureza. Às vezes invejo os passarinhos donos de sua jornada livre e tranquila, porque será então que seu coração bate tão forte? Busco eu tranquilidade? Procuro sim são prazeres, loucuras, estados de êxtases sem ter que me importar com o compasso compacto de tempo.
Se a vontade invade tão forte a mente e não procura calcular nada uma hora explode, mas enquanto fica presa inunda, esconde, sofre, tenho pena da alma. Fugir, eis um verbo que é contra a razão do comum. Comum tudo que não sou. Agir tudo que preciso para não cair na cólera do usual.
O melhor remédio efêmero do espírito é um calmo mar, seu aroma, seu infinito renova, traz de volta a esperança essa sim é a cura pro caduco, mas o que fazer se não tens essa gloriosa porção por perto? Duvidas, duvidas as respostas chegam, mas sempre se vão é culpa do tempo que nos apressa fazendo a gente andar fora do nosso próprio ritmo. Não gosto da ordem estabelecida se pudesse quebraria todos os relógios do mundo.

S.Vaz