
Fui desaprendendo a amar no verão em que caminhando em direção escola fui surpreendida por um revolver, percebi que para o sujeito a mochila valia muito mais que minha vida. Entrei em desalento quando só recebia abraços frouxos, quando uma pergunta era respondida junto com sete pedras as quais atingiam em cheio meu coração. O meu amor estava adormecendo ao ver mulheres apanharem e ainda adorarem seus parceiros, ao presenciar a corrupção e não poder fazer nada, pois sempre no meu pessimismo desde sempre houve e haverá indivíduos que se aproveitam dos outros. Pior do que está, sim, fica. Andava entristecida vendo seguidores de Hitler mesmo após seu declínio e a tristeza permanecia quando me lembrava que odiava a discrepância entre os extremos de pobreza e riqueza, mas era produto do capitalismo.
Descobri que não sabia mais amar, que não queria aceitar, mas era verdade, tinha medo de amar, pois desconfiava de tudo e de todos e sem o amor tornava-me mais arrogante, menos conversável e mais individualista. Achava que sobreviveria comigo mesma, antes só que mal acompanhada. Entretanto um dia recebi um telefonema de alguém que não vira a anos dizendo que estava com saudades, ganhei uma rosa que mesmo efêmera para mim não se tornou, recebi um beijo gostoso na bochecha, me contaram um segredinho, me cobriram quando estava dormindo. Fui abrindo o sorriso e meu coração respondeu igualmente.
Sigo então tentando reaprender a amar neste mundo, me mostrando devagarzinho e até rindo sem motivo. A alma agradece. È tão gostoso gostar de amar.
Sabrina Vaz
Sabrina Vaz